Ela nem sabia que eu existia. Sequer me olhava, mas nunca me importei com isso.
Todas as vezes em que ela passava, minha cabeça entrava em transe e meus pensamentos ficavam prisioneiros daquele instante. Sua figura causava um redemoinho em meus sentimentos.
Ela se chamava Vanda Valquíria e, devido a sintetização para um linguajar mais sucinto, as pessoas a chamavam de Vanda Val e, em meu desalento, passei a apelidá-la intimamente, só pra mim, de ‘Vendaval’, porque era isso que ela causava em mim.
Quando eu soube da notícia, logo após aquela tempestade de ventos, raios e granizos, me recusava a acreditar que ela havia sido levada pelas águas turvas e poluídas do rio Sarapuí. Logo esse rio que, antes do crescimento desastroso de toda a Baixada Fluminense, ainda tinha suas águas límpidas, onde outrora cheguei a mergulhar em companhia de outros meninos em busca de lúdicos prazeres. Esse mesmo rio que agora me roubou de forma egoísta e aproveitando-se da tempestade, acabou levando minha Vanda…
Hoje toda vez que chove e venta muito, e os clarões dos raios iluminam o Sarapuí, fico tentando encontrá-la naquelas correntezas, para lhe dizer que eu a amava demais às escondidas e reclamo ao rio a sua presença.
O rio foi mais forte que eu. Teve a coragem de levá-la em seus braços e meu mundo agora é só um vendaval de tristes lembranças.





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