A imagem que te olha não é a mesma que você vê

Conta-se a história que em outrora na região da Fontinha, Oswaldo Cruz, Bento Ribeiro e Marechal Hermes foi dada a ordem para a caçada aos donos de terreiros. Esta era a investida da polícia entrando nas casas, chutando portas e retirando os donos de terreiros tarde da noite. Como naquela época o foco maior eram os umbandistas, eles foram sequestrados e levados para as delegacias. Nesta ocasião, uma senhora estava fazendo uma vaquinha para ajudar no sepultamento de uma criança. Estava a dias nesta missão. Ela chegou em sua casa muito cansada e teve êxito em sua função. Está senhora vivia com três filhos pequenos e seu marido, padrasto das crianças. Ao chegar em casa, tomou um banho e foi dormir. Em alguns minutos, este senhor, que também era espírita, tinha um Preto Velho João Baiano. Ao perceber o perigo a se aproximar da casa, o Preto Velho incorporou e começou a avisar, dizer que tinha perigo que tinha espinho marui no caminho. Pediu a filha mais velha que fosse acordá-la, para que ela pudesse se proteger do infortúnio que se aproximava. A senhora, muito cansada, não levantou. Respondeu que estava tarde e muito cansada, não era o momento de ter sessão, de estar em terra. A entidade não partiu, ficou firmando ponto. Pediu a criança que retirasse todo perigo das vistas e escondesse embaixo de sua cama. A menina, muito esperta, fez o que foi dito. Não demorou muito, a porta foi chutada e a casa invadida. A senhora acordou assustada com os policiais entrando, querendo saber o que ela tinha guardado. Não encontraram nada. A menina escondeu e sentou em cima, pois dormia no chão. Levaram a senhora, que foi presa mesmo assim.

Ao amanhecer, o Preto Velho João Baiano levou as crianças para casa da madrinha da filha mais velha, para ficarem em segurança e a mesma resolver a questão da comadre que logo agiu. Era proibida a visita de menores, por estarem juntas com prostitutas, mas a criança fez uma choradeira e foi liberada a entrada dias a frente por ser seu aniversário. Neste momento, a mãe pediu pra trazer os elementos espirituais para ela ser solta. Assim foi feito. Debaixo do vestido com vários gomos, chegou o material e nos próximos dias ela estava livre.

Na mesma região, entraram na casa do Senhor Benedito Perna Seca, amigo desta senhora. Os policiais procuram, vasculharam e não acharam. Ele havia ganho uma imagem do Santo Expedito, da cor dele, do tamanho dele, e estrategicamente puxou a imagem e entrou atrás. Aos olhos dos policiais, ele não foi encontrado, pois via os policiais mas não era visto, só enxergavam a imagem de Santo Expedito. Assim ele escapou, foi para outro lugar até que passasse o período do pega-macumbeiro.

E muitos, como ele e está senhora, vieram para Baixada Fluminense, São João de Meriti.