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Os bebuns

Eram sete horas de uma manhã chuvosa no bairro de Tinguá, No pé-sujo do seu Augusto, mais conhecido como o Sindicato dos Bebuns de Iguaçu, já se encontrava, como era de costume, um grupo de bêbados dividindo uma garrafa de Caninha da Roça, comprada com os míseros centavos que cada um tinha no bolso.

Eles estavam em círculo, passando a garrafa de mão em mão e enchendo os copos. Ali, vale lembrar, o machismo não tinha vez: homens e mulheres dividiam o mesmo espaço democraticamente.

Tudo transcorria tranquilamente, até que Zé 51 perguntou ao Mestre Pinguço porque ele nunca esquecia o caminho de casa à noite, mesmo depois de uma boa bebedeira. Afinal, muitas vezes, Zé acabava dormindo na rua por não conseguir encontrar o próprio lar.

Mestre Pinguço, com a sabedoria etílica que todo bebum acredita ter, respondeu:
— Eu uso a técnica de João e Maria, daquele conto infantil. Encho o bolso da bermuda com grãos de milho. Como o bolso tem um pequeno furinho, vou deixando uma trilha de grãos pelo caminho. Depois, é só voltar seguindo o rastro até chegar em casa.
— Que ideia genial, mestre bebum! — elogiou Maria Pé de Cana.

Curioso, Zé Cachaça perguntou:
— Mestre, essa técnica sempre funcionou?
— Nem sempre, meu amigo. Teve um dia em que caiu um vendaval tão forte aqui no bairro que levou todos os grãos de milho. Fiquei tão confuso que só encontrei minha casa três dias depois!

Entre um gole e outro, todos caíram na gargalhada diante da má sorte do amigo.