Ele se chamava Hélio e, em alusão a cor da sua pele, as pessoas chamavam-no de ‘Hélio Negão’. Era vassalo do antigo rei, que outrora fora deposto do cargo pelo povo.
Por ele ter sido sempre submisso àquele ex-soberano, sua imagem sempre foi ligada ao antigo monarca, só que, por conta disso, aquele governante fez com que ele se tornasse um eunuco e mandou cortar os seus ‘bagos’. Mesmo assim, ele continuava como ‘papagaio de pirata’ ou abanando o ex-rei, durante o calor.
Depois de transformá-lo em eunuco, o seu ‘senhor’ ainda ficava fazendo rima e gozação com o seu nome, chamando-o de Hélio, o ‘sem carélio’, e depois caía na gargalhada. Isso não chateava nem irritava o castrado súdito. Ele até ria junto.
O antigo rei foi deposto do cargo, porque nunca soube valorizar a sua coroa e entregava para outros reinados as riquezas de sua Pátria em troca de benefícios próprios. Ele amava joias. Teve quatro filhos, e por azar ou pela genética, todos tinham sérios problemas mentais. Porém, uma coisa não se podia negar: Adoravam tirar proveito da posição do pai e, ao contrário do lendário Robin Hood, todos tiravam dos pobres para dar aos ricos. Por isso começaram a fazer parte da elite financeira e ficaram todos muito ricos também. Por esse e por outros motivos, o rei foi retirado de seu trono pelo povo na época.
O vassalo Hélio sempre achou que poderia ser parte daquela inescrupulosa família. Queria manter sua imagem na foto, sempre ao lado dos seus ‘donos’, como uma espécie de cachorrinho que sempre balançava o rabo e lambia os pés do seu senhor, sem nunca ter percebido o quanto sempre fora usado por eles.
Hélio obteve até algumas vantagens com esses relacionamentos. Tornou-se muito conhecido dos seguidores do antigo soberano, e por isso ganhou na época até um cargo público. Porém logo depois da prisão do ex-rei, devido à descoberta dos crimes por ele praticados e, com o passar do tempo, Hélio acabou também sendo deposto do cargo que exercia pelo próprio povo.
Na ‘rua da amargura’ e abandonado pelo seu antigo ‘senhor’, o agora presidiário Hélio, que já havia sido também abandonado pela esposa devido a castração, não queria mais ver nem falar com ninguém e resolveu colocar uma venda nos olhos e um esparadrapo na boca. Porém, além da imagem que havia construído de um eunuco importante, o que ele mais sentia falta agora era principalmente dos seus antigos ‘bagos’.





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