Não imaginava a quantidade de informações que eu iria acessar ao me conectar novamente. Fiquei anos afastado da tecnologia, parei no tempo, me estagnei por anos. Revivendo imagens de um passado que o próprio tempo fez questão de aplicar uma espécie de refração atemporal.
Durante muito tempo tentei distrair meus sentidos, depositava em uma dose de bebida forte a frustração de decadência, até perceber que eu estava repetindo o mesmo erro que meus antepassados fizeram. Resolvi agir de outra forma.
Dediquei-me aos estudos e me sacrifiquei ao máximo para sobreviver a toda essa situação. Eu queria que tivesse sido mais leve, não ter enfrentado tantos problemas. Quando eu era mais novo queria saber das coisas, descobrir a tal verdade sobre o universo. Hoje em dia sei que tenho muito a aprender sobre a vida, sobre o planeta Terra, outras culturas, quem sabe viajar pelo planeta e ganhar novas experiências. Contudo, eu descobri a farsa das religiões cedo demais e isso me causou um sério problema. Eu perdi meu medo.
Dizem que a espécie humana evoluiu porque nossos antepassados sentiram medo. Então será que eu não evolui porque não sinto medo de nada?
Enfrentei a morte de frente e descobri que é algo comum na vida das pessoas, contudo, menos de vinte por cento das pessoas sobrevivem para contar história e, diga se de passagem, depois do trauma que enfrentei, causaram mais problemas. Adolescência rebelde, juventude irresponsável e um pai vigiando de longe, torcendo para que seu primogênito despertasse para a vida.
Acordei e descobri além do que se vive em uma sociedade conturbada pela desigualdade social. Minha vida não é um mar de rosas e acredito que nunca será, porém deixei de usar remos e comecei a navegar com mais confiança por conhecer bem as correntezas.
Deixando a metáfora de lado resolvi descarregar as frustrações em palavras, mesmo que eu ainda não tenha conseguido organizar tudo e redigir um livro, vou usar esse lugar para registrar algumas memórias, porque também sei que vou esquecer muita coisa daqui pra frente.
Não sou um ser humano que as pessoas podem considerar como normal, de fato normalidade é algo que ninguém carrega. Se existe alguém normal, por favor, se apresente e que não seja a mentira que as religiões carregam em seus mitos e criações.
Carrego em minhas lembranças culpas de uma criança que agia sem filtros, que quase se esqueceu dos sonhos que carregava consigo. Eu queria ser repórter, trabalhar na televisão, quem sabe, conhecer uma atriz e ser feliz porque achava que o dinheiro era a única coisa que trazia felicidade. Felizmente eu estava enganado.
Já trabalhei em rádio comunitária, mas era rádio da mesma forma. Confesso que tive um problema muito grande na época. Saía com as ouvintes, me envolvia em casos amorosos e, em um deles, quase perdi a vida.
Me envolver com religiões me deu experiência atemporal. Conheci outras seitas, doutrinas e encontrei no yoga um exercício corporal e a riqueza do silêncio. Hoje em dia eu mantenho o silêncio pela metade do dia, no máximo respondo as pessoas quando elas desejam um bom dia/tarde/noite, porém não passa disso. Dos quarenta e poucos anos de existência nunca tive uma auto análise tão minuciosa, resolvi mergulhar fundo e descobrir coisas sobre mim, seria egocentrismo demais?
Confesso que resolvi doar um tempo para mim, nunca tive essa visão da minha pessoa e estou sendo meio narcisista. Contudo é tão bom. Está me fazendo bem e recomendo a qualquer pessoa que deseja estar bem consigo mesmo.
Mergulhe, busque dentro de si, a força maior, a melhor verdade e o amor mais puro e verdadeiro que existe, o amor próprio.





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