flores arranjo jarro

Meu coração te achou em Nova Iguaçu

A tarde preparava-se para receber a noite quando a campainha tocou. Ela olhou na câmera e viu o jovem com o buquê de flores na mão, pontualmente, 16h, como em toda última terça-feira do mês, nos últimos 7 anos. E mais uma vez ela sorriu ao lembrar do homem que ensejou esse ritual e que ainda fazia suas pernas tremerem.

Dono de olhos cor de jabuticaba, a pele clara, alto, atlético, sem exageros nos músculos e dono de uma careca linda… Sim, linda! Eu, hein! O que são cabelos perante tanta beleza? E a voz? Forte, mas suave. Música para seus ouvidos.

O encontro foi casual, um desses esbarrões durante uma corrida de um lugar para outro, no centro de Nova Iguaçu. Ricardo era motorista de aplicativo e simpático, como só ele, entabulou. Uma conversa com a pessoa mais faladeira deste planeta, quem sabe das galáxias… ela, Lilian!

Ele descobriu que ela queria cursar jornalismo e ela soube que ele era um jornalista aposentado fugindo do ostracismo. Dali para a conversa no Whatsapp foi um pulo. E lá estavam eles trocando palavras, um tímido interesse e, por fim, marcando um encontro!

O dia esperado chegou e com ele a visita de um ex- que a tirou do sério, abalando seu estado emocional. Logo em seguida uma notícia na TV falava sobre um carro que passou e o motorista atirou numa mulher que estava na calçada, que foi à óbito. O que isso tinha a ver com ela? Ora, o mesmo modelo de carro do Ricardo e no trajeto que ele estava fazendo.

A ficha caiu e as dúvidas sobre sair com alguém que nada sabia (a não ser o que contou) martelava em sua cabeça. 

Foi para o encontro com terço na bolsa, medo de tocaia e palpitação no coração. 

A conversa fluía e o beijo foi trocado…  beijo bom, mas de repente o telefone dele tocou. Era um amigo dele precisando de ajuda urgente. 

Ela compreendeu e ele a deixou no portão do prédio, após um quase entendimento de um encontro futuro. Só que dentro dela o medo do desconhecido, as constantes notícias de mulheres sendo agredidas entre tantas coisas que acontecem, gritaram em sua cabeça. E por medo, ela desistiu do que nem tinha começado. Ela desistiu daquele frenesi que inspirava um futuro mais feliz. E desde esse dia ela pensava nos sorrisos que não recebeu ao acordar, na praia que não curtiu com ele, nas mãos que nunca mais tocaram as suas e naquela boca que nunca mais beijou a sua.

E para compensar a sua própria covardia, ela passou a dar-se flores, uma vez por mês, comemorando o aniversário de um mês do amor que nunca desabrochou.

Ela ainda anda pelas ruas de Nova Iguaçu olhando para os lados, na vã esperança de um dia vê-lo. Ela ainda se pergunta se ele lembra dela…