terceira idade idosos

Liberdade para terceiridadizar

Ano dos meus sessenta anos. Meu Deus, o tempo passou tão depressa! Onde e como vivi este catatau de tempo? Parece que foi ontem que estava na escola primária, depois no ginásio… sim, eu sei que agora a nomenclatura é outra, mas me permito falar do jeito que eu quiser pois, afinal de contas, já estou à beira dos sessenta. 

Estou prestes a cruzar o limite da “segunda idade” – se é que existe essa classificação – para a terceira idade. Deixarei de ser uma pessoa seminova para ser idosa. Aliás, ri muito, dia desses, ao ouvir uma adolescente falar para a mãe de uns cinquenta anos assim: ”Ah, mãe, você ainda não está na terceira idade… Você ainda está chegando lá. Não é velha e nem nova, é seminova…” Eu pensei cá com os meus botões: “Não, criança, nós somos semivelhos, isso que nós somos.” Estamos, e afirmo estamos porque, na realidade, nós nunca somos de fato, sempre estamos, não é? Estamos pessoas com muitas manias, costumes, hábitos arraigados, dificuldades com certas tecnologias, nos surpreendemos e até temos certas estranhezas com inteligências artificiais e robôs e são tantas informações, senhas, telas, que nós, que estamos com um pé na tal terceira idade, não conseguimos acompanhar.

Aliás, criar idade está sendo muito difícil nesses novos tempos. Porque são muitos obstáculos e como eles se avolumam com rapidez! Ou fomos nós, semivelhos, quase não tão jovens, que estamos tendo a sabedoria dos velhos em não absorver tanta coisa? São criados cursos para nós fazermos para nos atualizarmos (Para quê? Em quê?), há pracinhas com aparelhos de exercícios para praticarmos, e tal e coisa… Parece que estamos sempre obrigados a estarmos updatizados… só acho que deviam deixar a gente velhar como quiséssemos. Tem muita gente que inclusive tem tanto horror dessa coisa de ficar velho, que tenta “harmonizar” as feições. Viram todos umas ovelhas Dolly da velhice. Tudo com a mesma cara e beiços inflados. Só muda a cor da pele e o caráter.

Deixem a terceira idade chegar, devagar, depressa, como ela quiser. Deixem cada um definir qual é o momento de ser terceira idade, de querer estar na terceira, segunda ou nem sair da primeira idade. Tem gente que, inclusive, já nasce na quarta idade! Quem define o tempo, apesar de sermos todos obrigados a ter rótulos cronológicos, somos nós mesmos. Então, que venham os sessenta e que tenhamos nós, os semivelhos, quase novos, na porteira da velhice, saída da juventude, o direito de nos sentirmos e praticarmos a idade que quisermos.