sadomasoquismo

Prato principal

André estava animado: iria passar seu primeiro dia dos namorados com Flavinha. Ela preferiu que ficassem em casa. Ele se arrumou, caprichou no penteado, colocou seu melhor perfume.

Chegando à casa da namorada, ela estava vestida com aquela roupa de ginástica, que demarcava com exatidão suas formas perfeitas. O rapaz agradeceu aos céus pelo mulherão que havia conquistado. Jamais havia se envolvido com outra daquele jeito, uma verdadeira deusa.

André foi conduzido à mesa. Flávia puxou a cadeira e o convidou a sentar:
— Amor, para participar do banquete, você terá que aceitar todas as surpresas. Sem questionamentos, tá bom?

Ansioso pelo que viria, o rapaz consentiu com tudo: foi vendado, amordaçado e amarrado à cadeira. Sentiu a aproximação do corpo quente de Flavinha, seguida da dor penetrante do primeiro corte. Sem conseguir esboçar qualquer reação, com angústia e desespero, sentia a lâmina dilacerando sua carne e o líquido vermelho escorrendo sobre sua pele:
— Meninas, podem entrar. Vamos aproveitar enquanto o sangue ainda está quente. 

As amigas de Flavinha atenderam ao chamado e preencheram o recinto. O vulnerável namorado, sem enxergar, não tinha a noção exata de quantas eram. Contudo, antes de desfalecer, pôde perceber pelo burburinho das eufóricas vozes femininas que elas eram muitas.

Em seu último jantar de dia dos namorados, André jamais poderia imaginar que seria o prato principal.