pé de café

Saudade do café da minha mãe

Já se passaram muitos anos, mas sempre que vou ao fundo do quintal da minha casa, lembro da minha infância, dos pés de café e dos grãos que a minha mãe catava. A memória fica tão presente que consigo sentir os grãos ainda verdes entre seus dedos, que ela colocava numa grande panela de alumínio. Ela estendia um grande pano branco sobre uma mesa posta ao sol e espalhava os grãos por todo ele logo de manhãzinha. Quando o dia começava a escurecer, ela voltava ao quintal e recolhia todo o café, já totalmente seco e livre de umidade.

No outro dia, no fogão de lenha construído perto do alpendre, em um tacho de cobre, os grãos eram torrados e pacientemente mexidos com uma enorme colher de pau. Quando estavam prontos, ela moía tudo num pilão de madeira, até virar pó. O cheiro do café passado no coador de pano invadia a casa toda e o café da manhã não era só uma bebida — era um prazer que toda a família degustava coletivamente. Ela servia em xícaras pequenas, com um pouco de açúcar mascavo, e dizia:
— Esse saboroso café aqui, meus queridos, foi colhido com muito amor — e o amor dá gosto a um bom café.