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Amor eterno

— Papai, eu te amo!

Era assim que Joana cumprimentava seu pai sempre que se encontravam. Em resposta, recebia um tímido sorriso nos lábios. Foram anos seguidos, mas Joana nunca desistia. Levava em consideração a vida dura que seu pai teve até casar-se com sua mãe. Ele era sério, um pouco severo, porém, do seu jeito, foi um marido e pai amoroso. Talvez a máxima “quem não recebe amor não sabe amar” seja verdadeira. Cedo, Seu Jorge perdeu seu pai. Ainda muito jovem começou a trabalhar para ajudar sua mãe e seus seis irmãos. Era o irmão mais velho. Talvez por isso, sua mãe não lhe demonstrava amor. Não foi fácil para ela também. Então, Joana cobria-o com seu amor e muito carinho.

Um dia, ao chegar à casa de seus pais, Joana viu seu Jorge no portão. Num ato impulsivo, como uma criança, correu para abraçá-lo:
— Papai, eu te amo!
— Também te amo, minha filha.

Joana não sabia se sorria ou chorava de emoção. Começou a beijá-lo, fazendo-o sorrir e ficar com o rosto corado. A partir daquele dia Joana sempre era correspondida em seus cumprimentos.

Passados alguns anos, Seu Jorge foi internado, levado à UTI, sendo entubado e monitorado por aparelhos. Joana conseguiu que liberassem sua entrada na unidade por alguns minutos. Entrou, acariciou os cabelos grisalhos, deu um beijo em sua testa e disse:
— Papai, eu te amo…

Inesperadamente, o monitor multiparamétrico começou a emitir um som e os dados registrados no aparelho oscilavam mais rapidamente. A enfermeira pediu que se retirasse. Foi a última vez que o viu com vida. Mas ela tinha certeza que ele, por meio do monitor a respondeu:
— Também te amo, minha filha!

Até hoje, sempre que a saudade aperta-lhe o coração, Joana emite pensamentos de amor e sente-se confortada porque tem certeza que, onde quer que Seu Jorge esteja, ele também a ama.