— Ó vida! Ó céus! Ó azar!
Ele vivia a reclamar. Reclamava do preço do feijão, da goteira do telhado, da falta de dinheiro… se chovia ou fazia sol. Em ter que levantar cedo para ir trabalhar. E se perguntava: Por que uns com tanto e outros sem nada?
Ele queria um milagre, uma mudança e dizia para si mesmo: É só uma fase. Deus proverá! Se alguém me ajudasse…
Mas ele não abria mão da diversão. Seu lema era: Carpe diem! Só temos hoje, então vamos aproveitar. Fazer sacrifícios? Jamais. Deixar de fazer o que gosta? Nem pensar. Pra quê? Não paga a pena. Quem tem mais do que eu pode me ajudar… E assim, levava sua vida como se não houvesse amanhã.
Forte, bonito, galanteador hétero, macho alfa, não dispensava uma aventura. Podia escolher mulheres poderosas e bonitas. Tinha que ser bonita, cheirosa e gostosa e novinha. Uma só não lhe era suficiente. Então, às vezes, ficava sozinho, quando era descoberto, mas era por pouco tempo.
Parou de estudar cedo para ganhar um dinheiro. Mas, não sabia lidar com grana. Se endividava com noitadas, mulheres, cerveja, vaidade… Boa aparência era primordial para encantar as gatinhas.
Sua sorte era que não tinha vícios em drogas. A droga era o vício em mulheres, peladas e cerveja.
E entre uma mulher e outra, um copo de cerveja e uma peladinha, o tempo passou como passa pra todo mundo. Então, se tornou um cinquentão sem dinheiro no bolso, sem patrimônio a não ser a sua casa com goteiras e a sua vaidade.
Sem formação profissional, as portas foram se fechando, as dificuldades, aumentando. Trabalhar no pesado, não levava jeito. Fazer força, só na academia. Queria um trabalho no ar condicionado… Até teve, mas o horário era muito rigoroso. Não tinha mais idade pra isso, receber ordens também não gostava.
— Já sei, vou ser motorista de aplicativo. Mas, com que dinheiro vou comprar um carro? Vou pedir ajuda a minha irmã… Quem sabe a sorte agora não estará do meu lado? — Decidiu. — Mana, tira um carro para eu trabalhar como motorista de aplicativo? Pagarei as prestações do carro com o próprio trabalho.
— Por que você mesmo não faz um financiamento? Eu te ajudo com a entrada.
— Não dá. Meu nome está sujo. Não tenho renda comprovada. Não tive a mesma sorte que você.
A última frase não prestou.
— Por que será, né? Te garanto que não foi sorte, foi mérito, foi escolha — Retrucou a irmã.
E os dois então começaram a discutir e a ajuda não aconteceu. Ele acabou alugando um carro para trabalhar e reclamava sempre quando chegava o dia de pagar porque não lhe sobrava quase nada:
— Ó vida mais ou menos…
Até que um dia, entraram no seu carro duas mulheres muito bem arrumadas. Ficou de olho na novinha, mas quem ficou interessada nele foi a mais velha. Ele não gostava muito de coroa, mas ela tinha grana, carro, casa…
Será que ele faria uma boa escolha para mudar a sua sorte?





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