“Sorte ou azar?! Façam seu jogo, senhores!”
César ouvia a voz de seu pai em uma lembrança, enquanto o frio cano do revólver encostava e desencostava da sua cabeça e o tambor da arma girava como a roleta do cassino onde ele cresceu e o pai trabalhou como crupiê.
Se criou em ambientes de jogatina noturna, onde muitas pessoas apostavam em roletas, dados e poker. Seu pai não tinha com quem deixar o filho. A mulher fugiu de casa com um homem que prometia vida mais estável do que o pai do que ela tinha tudo até ali. Em uma madrugada, deu um beijo na criança e saiu porta a fora sob o céu estrelado para encontrar o amante e nunca mais voltou.
O menino cresceu com o pai, criado entre o cassino, mulheres, bebida e tabaco. Aprendeu todas as manhas de apostas, sabia seduzir como ninguém. Mulheres casadas, solteiras, viúvas, todas endinheiradas, envolvidas e perdidas em seu charme de jogador. Enganava magnatas, prometia milagres, ganhos certos com roleta e dados viciados, cartas marcadas, toda sorte de jogos de azar.
Com a morte de seu pai, assumiu seu lugar no cassino. Era um crupiê que conhecia todas as manhas da roleta. Seu pai o tinha ensinado tudo. Vivia na corda bamba do muito e pouco dinheiro.
O tempo passou e César se apaixonou pela esposa de um empresário, jogador diário do cassino. Encontravam-se às escondidas durante o dia, com o cassino fechado. O marido, desconfiado de tantas andanças da esposa durante o dia, mandou segui-la. Seus seguranças descobriram que ela se encontrava com o crupiê do cassino todas as tardes.
Uma tarde, sem aviso, o magnata invadiu o cassino. Mandou amarrar César em uma cadeira e disse que ia brincar de “roleta russa” com ele. Se não morresse em cinco tiros, deixaria ele fugir, sem olhar para trás.
Cinco sempre fora seu número de sorte. Quem jogava no preto número cinco na roleta sempre ganhava. Cinco era o dia de seu aniversário. Não tinha como ele não escapar. O girar do tambor da arma se confundia com o barulho do girar da roleta. O tambor girou quatro vezes e o clique da arma seco em sua cabeça lhe garantia sorte. O tambor girou pela quinta vez. “ Sorte ou azar?! Façam seu jogo, senhores!”
O estampido da arma selou o azar de César. Cinco, no final, não foi seu número de sorte.





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