espermatozoides

Zóid… ou, Dióz de trás pra frente

O incalculável UNIVERSO… dentre milhões de astros… no complexo e imprevisível sistema solar… no ponderável planeta Terra… na tangível América do Sul demarcada naquele surrado mapa-múndi; da penetrável fronteira brasileira à então ainda respeitável capital do Brasil varonil; lá em seu interior – Baixada Fluminense – exatamente em Nova Iguaçu; meados do ano de 1955; naquela noite fria, um jovem casal brincava de “papai e mamãe”, enquanto milhões de gametas germinavam dentro deles…

Tio Smegman, o bom e lustroso zelador, como era de seu habitual e prazeroso oficio, seguia na linha de frente preparando e lubrificando o terreno para que seus queridos sobrinhos pudessem fluir bem. O ansioso Zóid<XYZ, embora viesse ainda um tanto imaturo por coisas que desconhecia, estava lá entre eles e, vivendo uma espécie de ilusão porvir sobre utopias em boas e fantásticas aventuras, vagava assim por lá,
meditabundo e esperançoso acerca de um sonho futurista. Como era um sonhador em meio aos irmãos pseudo-materialistas, uns que eram mais assim, outros, mais assados, seria o mais gozado da turma. Era em inverno pleno, finalzinho de agosto e, enquanto isso, ao mesmo tempo em que eles fluíam felizes naquele habitat natural um tanto gosmento, lá fora, em outro plano horizontal, poderia até parecer ao jovem casal de estranhos humanos, que o tempo passava de forma diferente, bem rápida, uns reles segundinhos ou, talvez – quem saberia? – o ato em si pudesse ter durado até uns minutinhos! Porém, lá dentro deles, pra quem é sêmen, a coisa parece bem lenta, tipo: o tempo de uma vida!

Tipo… naquele exato momento, quando veio começando um rebuliço no final da fila e já dando início uma efervescência do tipo vulcânica de lava em erupção, com uma pressão tal a arrastar todos de roldão quando o turbilhão chegasse forte… como chegou! E lá foram eles juntos e misturados; embolados, uns mais fortes, outros menos, numa avalanche… e que alcançasse à Zóid-XYzzz que ainda tentava resistir sentindo a sua cauda ser puxada pelos que vinham detrás e se agarrando aos da frente, até que não sobrasse nenhum em que se segurar, eis que eles foram ejaculados e, de repente, único e absoluto conseguiu penetrar num lugar sossegado… e lá… como num passe de mágica; como se estivesse naquele seu sonho realizado, aquietou-se saciado e… devidamente descaudado. Então, houve só o silêncio e a calmaria… Zóid-XY absolutamente satisfeito e quase desfalecido finalmente se acomodara e só então descansaria, relaxando-se por um espaço de tempo jamais experimentado antes, num hiato próprio aos humanos estranhos…

Desde então, se passaram nove meses e setenta anos e, quem diria, heim? Quem poderia sequer supor de que, o carismático Zóid, presentemente, assim como sonhara um dia, viraria protagonista desse conto autobiográfico?