Esta é a história de Osvaldinho, que descobriu tardiamente que, em festa de confraternização de empresa, beber água mineral com limão não funciona para um “bebum” que se dizia em recuperação. Água e cerveja não se misturam no mesmo copo.
Osvaldinho era novo no emprego, com apenas seis meses na casa. Todo final de semana os colegas se reuniam no barzinho da esquina para beber, se divertir e procurar esquecer os aborrecimentos do dia a dia do trabalho. Ele sempre era convidado para se reunir com a turma, mas sempre recusava o convite, mesmo que, intimamente, a contragosto. Ele se conhecia muito bem e sabia que não ia recusar uma “gelada” — ou melhor, várias “geladas” até a madrugada. Quando isso acontecia, o caos se instalava; por isso, estava há seis meses heroicamente “segurando a onda”.
Mas o final do ano chegou e, com ele, o seu maior temor: a festa anual da empresa. Lacerda, seu amigo de longa data e conselheiro nas horas difíceis, tentou alertar:
— Osvaldinho, meu chapa, escuta o que eu estou te falando. Você é novato na empresa; antes de você, o mais novo tem cinco anos de carteira assinada. Não vai. Fica em casa curtido a família e assistindo um filmezinho na Netflix. Você sabe como fica depois de umas geladas. Se diz amigo de todos, torna-se um chave de cadeia, um chato de galocha, um mala sem alça, quer beijar todo mundo. São tantos adjetivos que eu prefiro parar por aqui.
Osvaldinho, ofendido em sua honra, retruca com a solenidade de um monge budista:
— Lacerda, meu caro, você me subestima. Eu mudei. Sou um novo homem. Eu juro pela saúde da minha sogra (que Deus a tenha!). Nesta festa eu serei o exemplo de sobriedade. Só água mineral com gás e uma rodela de limão. Nada mais. Vou ser o maior exemplo de moralidade festiva.
Lacerda suspirou, um suspiro que carregava o peso de anos de ressaca do amigo. No caminho para a festa da empresa, Osvaldinho reiterou sua promessa uma dezena de vezes. Mas aí… ah, o “mas aí”. Ao cruzar a porta do salão de festas, o nariz de Osvaldinho foi recebido pelo cheiro de churrasco e sua sedução em forma de fumaça por todo o salão. Seus olhos foram hipnotizados pelo brilho dourado das centenas de latinhas de cerveja estupidamente geladas. E, no canto, uma barraquinha de caipirinha que parecia o próprio paraíso, com frutas coloridas e uma cachacinha artesanal que “piscava sedutoramente” para ele.
O “novo homem” de repente evaporou feito éter. Ainda tentou recuar diante de tanta sedução, mas só deu tempo de chegar mais próximo ao bar e dizer:
— Moço, me dá uma água miner… Quer saber? Me dá logo uma caipirinha de limão. E capricha na cachaça, que eu preciso “quebrar o gelo”.
A promessa ao amigo Lacerda virou pó — ou melhor, virou álcool. E foi aí que o Osvaldinho voltou a ser o verdadeiro Osvaldinho que só Lacerda conhecia.
O que Osvaldinho armou na festa? O que aconteceu com seu emprego? Isso fica por conta da imaginação do caro leitor, que provavelmente já participou de uma confraternização de fim de ano em seu local de trabalho.





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