Começamos por Acã, que roubou tesouros de Jericó após a conquista da cidade, levando à falência seu povo. A outra é Raquel, quando fugia de seu pai, Labão, roubou os deuses da casa e os escondeu em baixo da sua sela e os levou consigo. Talvez sejam só uma subtração de bens, mas quanta sacanagem!
Querem mais? Vou falar de um município da Baixada que foi contemplado pelo Governo Federal com a Lei Aldir Blanc. Recebeu uma verba superior a três milhões e cem mil reais para fomentar a cultura do município através de artistas locais e entidades culturais. Isso tudo ocorreu após a pandemia de 2020. Artistas em felicidade total. Enfim teriam como realizar seus sonhos. Editais foram lançados, e agora? Aonde me encaixo?
Malabares, capoeiristas, bordadeiras, cantores da noite e de praças públicas ficaram em polvorosa. Os valores variavam de oito a trinta mil reais. O edital dá o prazo de sete a dez dias para a entrega de formulários. A correria é frenética, o tempo é curto, o não entendimento de preencher o formulários é grande. O prazo é curto e terá que ser cumprido. Resultado: dezenas de projetos foram negados.
E a sacanagem? Os artistas e entidades culturais tem 24 horas para corrigir os formulários (com erros ou falta de informações). Correria total, filas para a entrega (em mãos) dos formulários. Isso mesmo; em mãos!
O que eles não sabiam é que havia uma proposta para a liberação dos projetos, que variava entre 30% à 50%, dependendo do valor. Ou seja, em um projeto de trinta mil, o artista leva quinze mil, e em um de vinte mil. leva quatorze mil. Vários artistas (a maioria) aceitaram a proposta porque queriam fazer cultura a qualquer custo.
É ou não é uma sacanagem?
Agora cenoura, pimentão, salsicha e azeitona – isso sim, é uma boa sacanagem!





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