(Para o amigo Carlos Mendes, pelo nascimento de Angelo)
Quando Angelo nasceu havia guerras em muitas partes do planeta e seus pais, assim como no excelente filme de Roberto Benigni ‘A Vida é Bela’, evitaram falar no assunto para que o filho, que acabara de abrir os olhos para a vida, não sentisse o horror nem a insensatez da humanidade em que ele, de agora em diante, faria parte. Seus pais tentaram fazer com que ele achasse que as armas eram de brinquedo.
O tempo foi passando e Angelo começou a enxergar o entorno de uma forma mais real, e as surpresas também vinham em borbotões.
Viu, quando menino, que as crianças, assim como os pássaros, podiam voar se assim desejassem. Descobriu também que a vida só se tornaria interessante se as pessoas abandonassem a ganância e o egoísmo.
Foi crescendo e a cada dia que passava começou a perceber o porquê de seus pais sempre o afastarem do mundo das guerras e do caminho da violência. Daí começou a entender que o amor pode vir também camuflado de cuidados, proteção e carinho.
Angelo então passou a entender que vai ter que conviver com todas as surpresas que a vida e o tempo vão lhe proporcionar, e para os seus pais, só resta colocar em cada tropeço que der, curativos nas feridas e sorrisos nas alegrias e nas vitórias. Aos seus pais resta também pavimentar o longo caminho que ele fará, com livros, conselhos, poesias e muita dedicação, e saber também que Angelo significa ‘Mensageiro Divino’, um ser celestial, ou ‘anjo’. E ‘anjos’ têm como destino o voo.

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