formigas formigueiro

Safadeza no formigueiro

Era uma vez duas formiguinhas. Elas foram expulsas do formigueiro, pois estavam fazendo coisas atrás de uma folha de jabuticabeira que não deveriam fazer.

Algumas formigas intrigueiras, invejosas e dedos-duros, só de safadeza, foram contar a fofoca para a rainha do formigueiro, que também era a rainha de bateria da Folha de Mangueira, uma escola de samba oriunda do antigo Bloco Carnavalesco Saúva das Carlotinhas (Carlotinha é uma espécie de manga que teve esse nome em homenagem a Imperatriz Carlota Joaquina, que adorava esse tipo de manga).

Todas as formigas utilizavam uma lanterna, o que era uma regra, porque lá dentro do formigueiro é muito escuro. E as duas formigas que foram expulsas foram flagradas usando palitos de fósforos para acender um fogareiro, fogareiro esse que elas haviam trazido, camuflado para o buraco, dentro da casca de uma jabuticaba, onde então elas tentavam cozinhar o caroço num canto mais escuro do formigueiro.

Como isso colocaria em risco toda a população daquele recinto, porque isso poderia causar incêndio e intoxicação, matando assim todos os moradores sufocados dentro do buraco e por esse motivo foram expulsas e elas, por isso, achavam muita safadeza das demais formigas entreguistas.

As duas formigas expulsas, antes de serem aceitas oficialmente no formigueiro, eram registradas como Tanajuras (aquelas formigas com asas, que têm um bundão). Só que um dia, uma molecada da periferia, ao caçá-las, arrancaram suas bundas para fritar e comer com farinha.

Agora, depois de expulsas e fora do formigueiro, decidiram realizar um implante e voltar a ser Tanajuras e com isso resolveram também se candidatar ao Congresso Nacional, porque só assim voltariam a ter asas e voarem para onde quiserem. Voltariam também a ser ‘bundonas’.

E foram eleitas.