Tinha que agir rápido. O barman conseguiu pegar uma das garrafas de vodca e guardou a secretamente. Não era uma marca barata. Recém-admitido no bar, ninguém desconfiava que o rapaz tinha o hábito de pegar coisas alheias. Horas depois, estava terminando de usar o banheiro do posto quando o celular tocou. Número da esposa. A cesárea estava marcada para a próxima semana. A cunhada entrou em contato para avisar que a irmã havia se acidentado em casa. Desesperado, saiu correndo e esqueceu de pegar a bolsa com a vodca e peças de roupa que tinham ficado ao lado da pia.
Minutos depois Altayr, que era recepcionista de hotel, entrou no banheiro e no mesmo instante reparou a bolsa. Demorou um pouco no banheiro e saiu levando a bolsa. Dentro do ônibus, que não estava cheio por conta do horário avançado. Sorriu com satisfação quando finalmente abriu a bolsa e viu seu conteúdo. Seus olhos se encontraram com os do homem alto e de cabelo curto que havia acabado de entrar no coletivo. Instantes depois, o meliante recolheu os celulares e carteiras dos passageiros. O homem encarou Altayr e disse laconicamente:
— Passa a bolsa.
A madrugada havia sido promissora, pensava Edgar, enquanto se dirigia para casa depois de repassar os cartões para o amigo Elias para a montagem dos esquemas. Os olhos da companheira brilharam quando viu a garrafa de vodca na pia. Ela, que se fazia passar por mãe Dita, ia repassar o valor do material do trabalho para a nova cliente e iria acrescentar a vodca, com certeza.
Na semana seguinte, lá estava ela e a cliente em uma encruzilhada, montando o trabalho com a garrafa que havia pegado do companheiro e que foi superfaturada na lista. Era mais uma cliente satisfeita.
Amanheceu. Era bem cedo quando Antenor, que estava indo à padaria, não resistiu e recolheu a garrafa de vodca cara. Seria um desperdício não beber. Fazia duas semanas que não bebia. Chegou em casa com o pão e a vodca. Mas, para evitar problemas com a esposa, escondeu embaixo da escada da área o líquido precioso para tomar depois. Não contava que ela, ao guardar o óleo da fritura, encontrasse a garrafa de vodca. Maria Antônia ficou revoltada. Que safadeza! Antenor não queria ir ao AA. mas havia prometido parar de beber. Indagou com que dinheiro o marido comprou aquela bebida cara, já que ele estava desempregado. “Será que foi com o jogo do Tigrinho?”, cogitou ela.
Não pensou duas vezes. O marido chegou quando ela despejava todo o conteúdo no ralo da área.
Moacyr não ganhou no Tigrinho, mas estava com muita sorte. E nem sabia. A garrafa era uma das bebidas adulteradas com metanol que foi parar nos Jardins. Fazia parte da primeira leva que havia chegado ao renomado restaurante. Era o seu dia de sorte.





O título é bem apropriado, realmente foi volta e reviravolta. A safadeza nós leva para outro lado e não como um ato desonesto, imoral.
Que reviravolta! Maravilhoso!
Que plot twist sensacional! Adorei!
Interessante como o desenrolar do conto, apesar de ficcional, é perfeitamente possível de acontecer. São aqueles caminhos tortos que a vida nos coloca a caminhar.
Adorei a construção da narrativa.