Odete Sil Moduam Rocha era a mulher do senhor Id Campos Rocha, um português que usava uns óculos de armação grossa, quadrada e conhecido na região pelo apelido de Colinha. Recebeu esse apelido porque vivia na ‘cola’ de todas as freguesas que entravam em sua padaria. Dona Odete, que já conhecia as traquinagens e safadezas do seu marido, ficava no caixa, sempre de olho no gajo.
O português tinha uma voz imponente quando falava com os funcionários, mas quando entrava na padaria uma rapariga bonita, ele amaciava o dialeto e suspirava todo safadinho, falando perto do ouvido da moça: ‘Ai Jisus…’
Certo dia adentrou ao estabelecimento, toda rebolativa, a senhora Janice Paolla, que na comunidade era conhecida como Eleninha. Janice, a Eleninha, era muito charmosa e costumava promover uma feijoada, regada a samba no Bairro da Luz, e assim que ela entrou o portuga deu uma longa suspirada e foi logo se antecipando, com a maior das más intenções:
— Já sei que a senhora gosta de um baguete bem clarinho…
Dona Janice ficou ruborizada pois, lá do caixa, Dona Odete percebeu a safadeza do seu marido. O portuga só não foi mais fundo por causa dos olhares da Odete e porque sabia que o marido da Janice, senhor Wagner, pertencia ao PCC (Porrada Com Carinho). Wagner torturava as pessoas enquanto escrevia poemas de amor para elas. Era um homem perigosíssimo! Só que Colinha confiava muito no seu pitbull chamado Totó, que ele havia adotado durante sua ida a Morro Agudo, e este não deixava ninguém se aproximar do seu dono.
Essas saliências aconteciam com todas as mulheres da região. Todos já sabiam da fama do português, que dava em cima descaradamente de todas as mulheres, fossem elas casadas ou não. Já havia dado em cima daquela moça que escreve contos infantis, a Patrícia; uma outra escritora chamada Nice; uma engenheira da região, de nome Cláudia; a bibliotecária Débora; a Emília, que aparecia na padaria de vez em quando; as promotoras culturais Denise e Anna Pedra Preciosa, as escritoras Eliane e Mary… Enfim, ele era o mestre das cantadas.
Até que um dia, todos os maridos, namorados, amantes e paqueradores das moças, revoltados com tudo isso, se juntaram e resolveram encher o portuga de safanões. Foram até a padaria os senhores Marcel, Medina, Bijaca, Klem, Jonatan, Ricardo, Marujo, Felipe, Lafayette, Joni Bigoo e até o poeta Bollmam entrou na briga, digo, na porrada, porque tentou defender o português. Bollmam aproveitou o olho roxo e até escreveu um bonito microconto sobre isso.
Dona Odete Rocha acabou entrando na confusão e levou um tiro. O xerife da cidade, senhor Carlos Mendes, ouvindo os conselhos do delegado Rufino, começou aleatoriamente a investigar quem era o criminoso ou a criminosa e acabou descobrindo que na confusão estavam presentes duas escritoras que tinham como costume assassinar seus personagens: Carla e Charlene. Pronto! Crime desvendado.





Muito bom e divertido esse conto do Medina.👏🏽👏🏽👏🏽