Charlene e Carla eram assassinas contumazes. Matavam sempre os personagens em suas obras literárias. Sempre, nos fins das histórias, as figuras personificadas morriam assassinadas. Até que um dia, um determinado personagem de um conto da Carla descobriu o WhatsApp de um personagem do conto da Charlene.
A partir daí, resolveram boicotar as histórias das moças. Mantiveram contatos sigilosos para que ambas as escritoras não soubessem o que eles estavam tramando. Eles simplesmente resolveram não mais participar dos crimes em que elas sempre planejavam durante os contos de assassinatos.
Fizeram um pacto de vida e, a cada vez que algum deles fosse defenestrado, pulariam do livro como ato de protesto e rebeldia. O conto ficaria sem aquele personagem e as histórias ficariam incompletas e vazias, e um conto realmente sem os devidos personagens ficaria faltando a lógica e a conclusão.
Foi aí que as escritoras também resolveram se vingar dos seus algozes rebelados e passaram a só escrever histórias de amor, onde o final era sempre com a frase: “…e foram felizes para sempre.” Criaram protagonistas estilo Barbie e Ken, Rapunzel, Príncipe Encantado, Branca de Neve, etc. Tudo para fazer inveja aos revoltosos ex-personagens.
Inconformados com as decisões tomadas por Charlene e Carla, por terem sido deixados de lado, os personagens que outrora eram assassinados ficaram muito tristes por terem sido alijados das histórias floridas e românticas e suplicaram às talentosas escritoras para voltarem a participar de suas prosas, já que o tema ‘amor’ era o que eles tanto gostavam.
As escritoras resolveram então perdoar os personagens grevistas e os colocaram de volta num dos seus contos românticos, mas com a condição de no final, eles fossem assassinados pela pessoa amada.





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