mão torta

O fantasma da mão gozada

Tereza morria de medo quando passava em frente ao portão daquele cemitério, desde o dia em que ela sentiu aquela mão gelada e pegajosa passando em sua bunda. O pior é que ela não tinha como fazer outro caminho quando voltava do seu trabalho, normalmente tarde (por volta da meia-noite), em direção à sua casa. Às vezes ela ouvia uns assovios e uns “psiu, psiu, psiu, psiu,” ou um chamado “eeeeeeeeiiiii” e quase morria de medo. No dia em que a mão fria passou em sua bunda, ela estava de saia e aquele toque gelado e grudento fez com que ela desse um salto pra frente e corresse desesperada, porque estava arrepiada dos pés a cabeça. Havia sentido aquela mão grossa e pontuda nas nádegas, que começara a deslizar desde suas coxas. O cemitério ficava num local ermo e muito escuro e só deu tempo de visualizar aquele vulto desaparecendo para dentro da Casa dos Mortos.

Sebastião era o vigia noturno daquele campo-santo. Era um mulato desdentado e muito feio, com quase dois metros de altura, tinha os dedos das mãos disformes, parecendo palhas retorcidas e todos que olhavam aquele aleijão achavam estranho, mas gozado. Só que Tião gostava de assustar todo mundo que passava por ali tarde da noite, sempre por volta da meia-noite, com assovios e chamamentos. Era perdidamente apaixonado por Tereza, desde quando a viu passar pela primeira vez por ali e toda vez que ela apontava na esquina ele já começava a se masturbar. Devido a suas dificuldades manuais, acabava enchendo aquela mão esdrúxula com o seu prazer solitário. Sabia que suas chances para aquela conquista seriam quase nulas. Daí, resolveu se transformar no ‘fantasma da mão gozada’.

Só que Tereza, ao contar para o marido o ocorrido, esse não engoliu muito bem essa história de fantasma e certo dia colocou na cintura o seu ‘três oitão’ e seguiu de longe a mulher, pedindo que a mesma passasse bem rente ao portão do cemitério, exatamente à meia-noite. Quando o ‘fantasma’ apareceu, levou dois tiros no peito.

Hoje em dia, as pessoas perderam o medo de fantasmas, porque acabaram aqueles assovios e chamamentos durante a noite. Só ficaram tristes porque atualmente o cemitério está sem um vigia noturno e ninguém mais está tomando conta dos túmulos. Dizem, porém, que já foram vistos algumas vezes, geralmente por volta da meia-noite, numa certa sepultura, uma mão esquisita acenando para quem passa pelo local.