sonho de padaria

Lições do crime

Os meninos passavam por aquela padaria todos os dias e colavam o rosto na vitrine dos doces. Na volta da escola eles ficavam por ali, perto do estabelecimento, até sair os sonhos de doce de leite, que era o que eles mais gostavam.

Eram tão bonitas aquelas guloseimas! Redondinhas, com cobertura de açúcar e recheio de doce de leite que parecia derreter por causa do calor da massa recém-assada.

Acontece que eles não tinham dinheiro para comprar nenhunzinho. Porque se tivessem, um deles comprava e dividia entre eles, já dava para matar a vontade. Mas, seus pais não tinham como dar uma mesada para eles, como alguns colegas ganhavam, então, só restava juntar as moedinhas que os avós davam de vez em quando até chegar o valor total do doce.

Um dia, quando estavam voltando da escola, resolveram entrar na padaria para olhar os sonhos mais de pertinho. Ficaram ali, namorando as guloseimas, e então, resolveram bolar um plano para pegar um sem pagar. Ali tinham tantos! Se pegassem um só, ninguém ia perceber.

Começaram a observar como eram colocados os sonhos na prateleira, se tinha muita gente perto e o horário em que eram assados. Bolaram um plano que consistia no seguinte. Um deles iria até o balcão e distrairia os vendedores perguntando o preço de vários produtos, outro ficaria fingindo que estava escolhendo entre vários produtos e o último, vestido com um casaco um pouco mais comprido nas mangas, colocaria a mão por cima de um deles e pegaria o sonho discretamente. Os três se reuniriam lá fora e andariam calmamente, sem chamar a atenção. Comeriam o sonho na pracinha, mais a frente. Seria um plano bem bolado para o “crime perfeito”.

Plano feito, no dia seguinte resolveram executar. Só que na hora em que o terceiro menino pegou o sonho com a manga do casaco comprida, o sonho escorregou da mão dele e caiu no chão. Os três ficaram paralisados, olhando o doce aberto no chão. Não conseguiram correr e começaram a chorar. 

O dono da padaria, vendo aquela cena, veio ao encontro dos meninos, sorriu e disse:
— Crianças, eu já estava acompanhando vocês há bastante tempo, sabiam? Mas, queria ver o que vocês iam fazer. O que vocês fizeram não foi certo, pois tentaram pegar um doce ao invés de pedir. Mas, entendo vocês. Já fui criança também e sei que, as vezes, os pais da gente não têm dinheiro para comprar o que a gente gosta, não é? Vou dar um sonho para cada um mas, da próxima vez que quiserem alguma coisa e não tiverem dinheiro para pagar, venham falar comigo.

As crianças agradeceram o senhor e saíram da padaria meio cabisbaixos. Mas, pelo menos entenderam que, para conseguir as coisas, tem que ser de forma honesta. O crime nunca compensa.