Eu amo boletos

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Dois amigos conversando depois do expediente. Pedro, um funcionário público e Toni, um autônomo:
— Cara, qual é o seu maior sonho? Quais são seus planos para 2026? – perguntou Toni.
— Hum, agora você me pegou. Na verdade, queria tanta coisa que nem sei por onde começar. E você? – indagou Pedro.
— É fácil, muito fácil. Queria não ter boletos pra pagar. Queria ter muito dinheiro e pagar tudo no PIX. Não durmo pensando nos boletos, se durmo tenho pesadelo com boletos.
— Cara, aí que você se engana, relaxa. Rico adora pagar depois, deve mais que a gente. Tem boletos milionários e deixa o dinheiro aplicado rendendo. Eu não sou rico não, mas eu poderia dizer até que amo boletos.
— Como assim?
— Não vivo sem eles! Eles me ajudam a me organizar, a planejar como vou pagar. Posso obter várias coisas ao mesmo tempo e parcelar, por exemplo.
— Ah, você diz isso porque é funcionário público. Tem renda certa, data certa pra receber…
— E o salário que não acompanha a inflação. E, às vezes, o salário atrasa sim. Já me enrolei com boletos também. Mas sem eles a gente não tem nada. Os problemas são outros, bem maiores que boletos.
— O que pode ser pior que boletos?
— Questões socias, por exemplo: a ganância, a corrupção, a má distribuição de renda e a falta de educação, esses são os verdadeiros vilões.
— Tá certo, amigo. Você me convenceu. Vou lutar contra o sistema. Já sei qual é o meu projeto pra esse ano: priorizar pra conseguir pagar todos os boletos e dormir tranquilamente. E nas noites de insônia, estudar para me aprimorar como empreendedor.
— É isso aí, amigo. Como dizem: brasileiro não desiste nunca!
— E você, Pedro, já decidiu quais serão seus planos para o próximo ano?
— Parecido com o seu: investir em mim como profissional para fazer o meu melhor, ganhar mais e poder pagar mais… BOLETOS!!!
— Ah, amar foi uma hipérbole, tá?
— Tá, ufa!