Esaó e Jacú eram irmãos gêmeos. Ambos frequentavam a ‘Santa Ceia’, uma taberna onde um hippie cabeludão costumava transformar água em vinho e leite em pinga.
Só que os irmãos não bebiam e só iam ali para jogar truco e ‘pedrinhas’ de galanteios para cima da Mara Lena, uma garçonete formosa que outrora fora vítima de pedradas, sendo salva pelo cabeludão, dono da taberna, quando o mesmo apelou para a Lei ‘Maria Tá Prenha’, uma lei vigente da época, hoje aprimorada. Com isso, ele livrou a Mara Lena da violência praticadas pelos trogloditas, que já existiam naquela época. Por isso, nem Esaó, nem Jacú, quiseram atirar a primeira pedra.
Os irmãos sofriam de fimose, cada qual com seu próprio órgão, claro. Quando queriam praticar o ‘São Pedro-São Paulo’ era uma dor dos infernos. Chegaram a procurar um curandeiro, de nome Varela, que era também cirurgião, para fazer as circuncisões. O problema é que ainda não havia sido inventada a tesoura, só o machado, e eles não quiseram arriscar.
Tanto Esaó, como Jacú, estavam desempregados e por sorte encontraram um barqueiro de nome Noel, que estava voltando de um dilúvio e tinha deixado uns animais na Terra Santa, um local que ficava situado entre Morro Agudo e Mesquita. A barca do Noel estava cheia de bostas dos bichos transportados e os irmãos foram contratados para fazer a limpeza e a higienização daquele meio de transporte.
Com o dinheiro que ganharam com o trabalho, os gêmeos foram gastar na taberna Santa Ceia. Lá chegando, depois de consumirem vinho e carne de ovelha, tiveram um ‘arranca rabo’ com o garçom de nome Judas, já que o mesmo lhes dera o troco errado de somente trita moedas de prata, fruto de uma ‘deduragem’ e, só de safadeza, havia também colocado água no vinho, o que gerou todo o reboliço. Mas um tal de Pedro, que era um pescador da região, apaziguou tudo, entregando para os irmãos duas latas de sardinha Gomes da Costa e com isso os ânimos foram acalmados.
O problema era que Judas, fingindo que estava tudo bem, deu um beijo em cada um e depois, como era de seu costume, dedurou os dois para os soldados romanos e ambos foram em cana.
Os soldados, aproveitando a ocasião, levaram também o cabeludão, dono da taberna, que estava na confusão, tentando separar a briga e o joio do trigo. O hippie cabeludão já não era bem-visto pelo governo, nem pelos soldados, desde o tempo em que ele reunia e liderava um pessoal que defendia justiça e igualdade (isso já acontecia naquele tempo) e gostava de fazer umas mágicas malucas, que eles também não entendiam.
Os irmãos ficaram muitos anos presos e só se salvaram porque Pilatos estava com as mãos lavadas e não quis lavar novamente as mãos. Já tinha até mandado levar a bacia, depois que havia lavado, na condenação do hippie cabeludão, senão eles entrariam no prego e seriam pregados também.
Esaó e Jacú acabaram vivendo ainda por muitos anos e só resolveram morrer quando foi decretado o Apocalipse.





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