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Débito e Crédito

Débito e Crédito não eram irmãos de sangue e sempre foram muito diferentes um do outro. Débito, que fora adotado por conveniência dos pais, para servir o ‘irmão’, era magrinho e minguado. Parecia mesmo ter nascido num daqueles países onde o descaso do mundo impera e as crianças sobrevivem famélicas. Desde menino, era portador do DV (Dívidas Vencidas) e TDA (Transtorno de Dinheiro Ausente), doenças que não o deixava entender sua pobreza. Diziam até que ele era descendente de uma tal família de nome Boletos, família essa que tornava todo membro que ali nascia um devedor contumaz. Essa família tinha como membros as senhoras Light, Cedae e IPVA e os senhores Vivo, Oi, Claro, Tim e IPTU. Alguns membros dessa família já fizeram parte até da milícia do tio Master. Já o Crédito, era rechonchudo, bochechas vermelhas reluzentes e vivia caçoando do seu irmão postiço, por ele sempre estar pedindo alguma coisa, até mesmo para comer. Eram filhos criados de formas diferentes pela senhora Bradesco e pelo senhor Itaú, seus pais. Eram netos do velho Unibanco, que morreu em 2009, deixando seus bens como herança para o filho Itaú.

Crédito era o responsável pelos negócios dos pais. Recebia os incentivos fiscais e controlava todo o rendimento da prole, sem nunca ter considerado o seu irmão para dividir qualquer tipo de lucro. Investia cada vez mais e tinha uma vida de luxúrias. Fazia propagandas nas TVs sobre altos benefícios para os clientes, oferecendo seguros enganosos, onde o cliente sairia sempre ganhando em casos de investimentos e etc. Nos finais de semana costumava passear de iate com sua namorada e futura esposa, a neta do velho Real, senhorita Santander.

Já Débito vivia acorrentado nas despesas, por isso era chamado sempre de correntista. Vivia tentando cobrir os empréstimos e liquidar os títulos numa ferrenha luta, sempre perseguido pelos Juros, uns maus elementos que estavam sempre na espreita.

Ambos não podiam ver um Caixa Eletrônico. Cada um com um objetivo. Crédito, para sacar dinheiro. Débito, para pagar contas.

O tempo foi passando, e como já era de se esperar, Débito, depois de ser obrigado a fazer algumas falcatruas para sobreviver, foi preso pela polícia contratada pela elite, o SPC, cuja sigla significa ‘Só Prende Coitados’. Ele chegou a pedir empréstimos para sair daquela cadeia à senhora Caixa Econômica e ao senhor Banco do Brasil, o que lhe foi negado. Ambos disseram que ele já estava muito grandinho para quitar esses pedidos, ainda mais com o histórico de ser descendente da família Boletos.

Já não aguentando mais toda essa pressão, Débito teve um DP (Déficit Primário) e morreu. Foi enterrado como indigente no cemitério dos ‘Sem Renda’.

A CADEIA ECONÔMICA continua aberta aguardando novas adoções já que, por força das circunstâncias, também fazemos parte dessa família e os Caixas Eletrônicos estão com suas teclas no afã de nossa visita. Quem se habilita?