Ok, vocês me pegaram. Sou eu mesmo o autor dessas historinhas picantes; e sou sim, assumidamente corno. Mas, sendo um corno moderno e conectado, tenho a plena convicção de que a Humanidade, desde de Eva e Adão no pecado original, lançou essa lógica máxima de que todos(as)(xs) hão de cornear, uns mais outros menos… Acho mesmo que nasci fadado a ser cornudo e, sendo escritor, por extensão e, diria, por certos prazeres efêmeros, corno literário e… ecológico. Casado com a Gata Selvagem dos filmes. Ela cultua a vida vegana e… também, claro, a sacana. Nos adoramos assim do nosso jeito e somos tipo unha e carne; fogo e paixão. Somos felizes! Ela gosta de se mostrar e eu a amo assim, gravando as suas epopeias sexuais, tudo ao vivo e sem cortes, nem edições… bem, na verdade, algumas cenas e falas, uns deslizes aqui nalgumas posições; outros ali, nos… e cenas escatológicas e desnecessárias que, por vezes, merecem cortes; coisas de bastidores, porém, nada que comprometa o desenrolar das ações; somos, diriam, bastante ecléticos e profissionais em nossas artes e escolhas pessoais; e tudo, repita-se ecologicamente correto, até os figurinos dos personagens são confeccionados com produtos naturais. Ela tem um canal de vendas de peças intimas especializado online que fatura alto nos meios comerciais afins. Há aqueles closes especiais que sempre dão ibope, as cenas da loba no cio sendo desnuda bem lentamente e provocante com os seus meneios sensuais, do torso ao dorso, até a sutil despida da última liga do tecido que lhe adorna os glúteos, das tramas de fibras de canhanho, bambu, seda pura, mostrando as nádegas volumosas e brilhosas, besuntadas com cremes narutebas que, só de assistirmos já nos dá aquela vontade de lamber, de morder – notem que, nestes reles minutos de pura degustação sensual mandei vários merchans, de lingeries aos cremes afrodisíacos. E os contatos comerciais aos interessados ficam registrados em algum lugar do seu celebro. É infalível. Essa é realmente a nossa vida. Sim! Gosto realmente de contar as suas histórias picantes, envolvendo muitas sacanagens, traições… sou fã de carteirinha do Nelson Rodrigues. E tenho esse canal de conteúdo adulto onde divulgo o meu principal trabalho e prazer: o fetiche; o voyeurismo; a libidinagem da minha amada e, por que não frisar, sacana, esposa. “O corno ecológico” – esse título foi idealizado por ela. Somos o que se pode dizer de um casal moderno e sexualmente resolvidos – daí as nossas caracterizações temáticas nas ambientalizações dos cenários: temos, o quadro do “Cerrado-devasso”; da “Mata Atlântica selvagem”; e “Amazônia em chamas”. Só sucessos nas redes próprias. Obviamente, tudo muito bem combinado entre nós; com ela gozando dos prazeres da carne, além de satisfazer as suas preferências veganas; eu com os meus arroubos ficcionais e pessoais. Bem, moralmente!?, são questões que sempre geram dúvidas; porém, sob o ponto de vista ecológico?, não! É quase perfeito! Os nossos parceiros sempre ficam satisfeitos com o que bem possam usufruir tanto da Devassa loba-guará no cio, quanto da onça pintada do rabicho alongado em Explorando a Mata-Atlântica da mulher-onça; além do mais famoso: Toco cru pegando fogo na floresta virgem. Creio que sempre fui assim. Fiz da minha sina de cornitudes uma espécie de tributo. Como já disse, nasci de uma corneada, fruto de uma bela pulada de cerca do meu pai, isso literalmente, pois ele teve de escalar a mureta dos vizinhos pra, digamos, dar umazinha com a minha mãe… Então, quando nasci com cara de outro, o meu “pai” passou a me chamar, dentre outras joias literárias, de o filho do puto, enquanto a mulher do vizinho, essa sim me tratava como o filho da puta. Eles se separaram, o meu pai biológico foi morar longe; o marido da minha mãe foi morar longe; a vizinha foi morar longe levando uma penca de irmãos que nunca mais vi… enfim, a minha mãe, depois de se entender em “ter me criado” como a ideia que fui culpado por suas mazelas existenciais, suicidou-se. E foi assim que aprendi, na marra, a ser um bom corno. E, agora, com esses aparatos ecológicos da minha mulher, sou só felicidade! E o universo só conspirando a favor!

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Carlos Mendes
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