bruxas ninfas

As bruxas do cerrado

“As moças desde muito cedo acham estranho o fato da tetravó que, segundo ouviram da própria, possuir mais de cento e vinte anos, apesar de parecer não passar dos cinquenta. Uma coisa bem visível nela, ‘em mandar bem no visual…’ Já a mãe parecer ser tão jovial quanto qualquer amiguinha do colegial? Festejam a tal genealogia em si mesmas. Alguns mistérios rondam as suas naturezas… as naturezas peculiares das mulheres da família.

Nazira, então com seus vinte anos e Zinara, que acabara de fazer dezenove, estão iniciando uma nova etapa em suas vidas pois as matriarcas, em comum acordo, resolveram que as duas seguiriam juntas a antiga tradição do clã. Todas reunidas em um sítio colonial bem afastado nos arredores daquela cidade goiana. Numa espécie de estância hidromineral instalada em meio aos prados do cerrado original e num vale fincado entre serras, no altiplano de Anápolis. Ali sempre ocorreram mistérios ancestrais; magias e muitas bruxarias… Uns certos rituais esotéricos e carnais que, se antes já foram considerados pagãos, hoje alçados a um patamar quase religioso, com ferrenhos seguidores. Tem a tradição algo a ver com mitos ciganos e escandinavos incorporados, em tempos e tempos, de elementos nativos, indígenas e quilombolas, prevalecendo, sempre, o domínio feminino sobre todos. Para ambas, meias-irmãs, já tão afeitas desde o berço, não é nada estranho a família composta exclusivamente dessas mulheres poderosas. E, embora jamais tivessem conhecimento das referências paternas, somente nos primeiros tempos da adolescência observaram alguns nomes masculinos em suas certidões: pais diferentes; e da mesma mãe. Achavam graça e acabaram por brincar com esses enigmas ancestrais, inventando lendas em que se transmutavam em animais, fêmeas sedutoras, quase sempre. Ao final, ultrapassadas as tolas convenções sociais que geralmente endossam parâmetros familiares retrógrados, quer por dogmas religiosos, quer por frágeis relações patriarcais que vão se tornando a cada novo tempo ainda mais obsoletas aos padrões vindouros; sequer a biotecnologia, tão em voga, faria algum sentido especular tais teses das naturezas originárias, afinal vencidas pela prevalência de sermos todos feitos basicamente de cromossomos, carbono… enfim, elementos químicos do pó da terra. Aos olhos do mundo, pelo bem ou pelo mal; certo ou errado, as duas moças eram como gêmeas, inexistindo explicação científica capaz de suplantar aquela verdade registrada num vídeo caseiro gravado há tempos, com imagens as duas desfilando a frente no cortejo público de sete de setembro, levando os pavilhões da escola secundária. Na gravação era perceptivo o orgulho naqueles semblantes, fosse ou não cívico; mas, com certeza, intimamente mútuo e elas, absolutamente idênticas. O fato é que, para elas, bem pouco se interessaram procurar saber sobre tais hereditariedades; pois, bem mais se valem das aparências e se gabam disso; nunca questionaram com os demais parentes: mãe, tias, primas, avó, bisavó e, por fim, a matriarca centenária. Sabem desde sempre pertencerem aquele misterioso e glamuroso clã (as nove mulheres vivem realmente unidas como bem demonstra a grande tela pintada à óleo e exposta na parede central no salão da pousada) e apenas saber e entender esse fato, já lhes bastem. Ansiam sim pelo grande dia, o grande evento: a passagem de ninfas pra mariposas; compreendem as suas genealogia e genética privilegiadas, já desde os onze, doze anos, quando veriam seus corpos se transmutarem plenas. Há sim mistérios eternos rondando as suas vidas; os sonhos recorrentes, sombrios, esquisitos e eróticos – de um erotismo fantasioso entre orgias e satanismo, sempre envolvendo a liderança delas. A matriarca exercendo uma poderosa influência sobre as demais e, agora, elas não conseguem mais se desvencilhar da prática em seduzir pessoas, buscando em números de parceiros, quaisquer gêneros, idades, ideologias ou credos, em suas as práticas devassas… até que todas juntas devorem sexualmente os parceiros.”

Então, leitor e ouvintes aleatórios, hoje, 21/10/2025, nessa noite especial de “safadezas”, fica o alerta de que, nós, sedutores e seduzidos por afãs e arroubos literários safadinhos, devemos ficar atentos aos sinais da presença dessas bruxinhas devoradoras de sexo, pois que, agora, uma vez introduzidas entre nós, talvez… – resta a dúvida – só talvez?! Elas já estejam aqui entre nós, quem sabe nos observando? Umas mosquinhas safadinhas; umas mariposas sequiosas esvoaçantes em volta da lâmpada… lagartixas ferrenhas comedoras de mosquinhas safadinhas e mariposas sequiosas, subindo nas paredes, preparando o bote já prontas pra sugarem nossas fantasias mais devassas. E nossos aaais… nossos uuuiiis… Oh my God!