— Tá calor, não está? Será que vai chover?
— Ôxi! E esse ar condicionado que não dá vazão?
E assim, começou uma história de amizade durável para as, agora, comadres Laila e Imara.Imara foi madrinha de batismo de Ana Luiza, filha de Laila. Há quatro anos viajam juntas de trem para o trabalho, com exceção do tempo de licença-maternidade de Laila. Esta é funcionária pública, moradora de Morro Agudo, que para acrescer na renda mensal, faz também salgados e doces para fora.
Já Imara trabalha numa galeria comercial no centro do Rio, enquanto estuda Artes numa faculdade particular. Veio do norte, mais precisamente de Belém, exatamente onde está acontecendo a COP30. Já está muito adaptada com o povo daqui do sudeste, mais precisamente da Baixada, exatamente em Nova Iguaçu, onde ela mora, no centro. Muito criativa, trouxe em sua bagagem sua cultura e se identifica com os daqui.
Há nesse relacionamento muito calor humano. Conheceram-se no trem, numa época de temperaturas fora do normal, mas muito explicáveis pelas emissões na atmosfera de gases de efeito estufa. Outra coisa muito comum nestes tempos: vistas pelas janelas dos vagões sujeira em muitas partes do caminho. Tanto por descaso do governo, como pela falta de consciência da população que, de certa forma, também faz parte do descaso do governo.
Viram juntas muitas famílias que perderam tudo numa enxurrada. Assim como, a solidariedade às comunidades, em mutirões pelos desabrigados — também fruto do descaso.
Não é esse futuro ameaçado que querem anunciado nos jornais para “Luli”, que neste momento requer todas as atenções com sua fofa risada de bebê que completará uma volta solar sobre a Terra. Querem medidas eficazes para a saúde do planeta, que começam pela educação dentro de casa, e de toda sociedade.
Enquanto enrolam os brigadeiros para a festa de um ano, a pequena brinca de trenzinho, numa bela instalação feita pela orgulhosa dinda.

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