Acredito eu que todo mundo já ouviu a famosa frase: “A vida começa aos quarenta.” Para quem não sabe, a música Zé Ninguém da banda de rock dos anos oitenta, Biquini Cavadão, deu a partida para uma série de primeiros lugares em várias rádios do Brasil. A vida começa ou termina aos quarenta?
Seria ideal que todos os seres vivos pudessem atravessar seu caminho no processo de evolução, porém, na prática não é o que ocorre. Muitos de nós SERES VIVOS são interrompidos. Se for parar para pensar sobre a cadeia natural de evolução, precisamos mesmo de outros seres para nos manter, nos alimentar e nos nutrir. Transferir as energias de outros organismos para o nosso, até a chegada de nossa hora de partir.
Entretanto existem pessoas que são impedidas de seguir seus caminhos. São assassinadas por vários motivos. Mas não é sobre crimes esse conto, afinal, ocorrências são comuns em nossa sociedade. Excessos podem significar ações irracionais que podem nos causar um arrependimento enorme depois de nos acalmar. O arrependimento se torna uma eterna companhia.
Criamos a mania de nos apegar às coisas que temos. Objetos diversos, roupas, instrumentos, chips, tudo. E como se fossem pequenas âncoras que parecem nos prender as lembranças que não deveriam estar tão presentes. Contudo, ainda sim, entender o processo de passagem, ver a vida como uma estrada sem fim pode nos trazer mais conforto. O problema é sentir-se anestesiado. Deixamos de perceber algumas influências ruins em nosso torno.
Alguns se tornam manipuláveis demais. Essa vulnerabilidade pode nos colocar em companhia de pessoas que não possuem boas intenções. Procuramos encontrar respostas que sempre estiveram em nosso subconsciente. Segundo a física clássica, TUDO É ENERGIA e não se cria. Essas forças podem ser intensificadas ou transferidas. Mas nunca criadas.
Cria-se atrito, calor? Não. São forças transferíveis de um estado para outro. É igual a água, que passa de seu estado líquido para gasoso. Continua sendo água. Acredito que o que nos move, essa energia que nos faz levantar todas as manhãs está presente em tudo o que há, o calor do sol é transferido para nós. Infelizmente, houve uma dessas manhãs, recebi uma notícia um tanto quanto não muito boa, uma pessoa que se tornou amiga em poucas palavras, “VIVA LA REVOLUCION”, a identificação foi instantânea.
Saber o motivo da luta, entender a causa, nos aproxima de pessoas que comungam dos mesmos ideais. Por razões que ainda desconheço, o tempo te levou para uma outra jornada, outras vivências e experiências. Eu sei que perdemos sua presença, suas risadas. Sua acolhida quando chegava em sua residência.
Em paralelo ao sentimento de falta, tem também a doce lembrança de seu sorriso. Dava para sentir o amor puro, sincero, emanando de todo o calor que vinha de onde você estava. Irradiava qualquer lugar por onde passava.
Espero ter a sorte de conseguir deixar registradas as minhas vivências. Me lembro das últimas palavras que ouvi de você: Termine de organizar que a gente lança…Você foi uma pessoa que teve a sorte de ir de forma natural, mesmo depois de ter enfrentado a tirania de pessoas que acreditam ser donas de uma verdade absoluta e, sabemos, não há nenhuma definição do que é verdade porque se a maioria de nós, humanos, definirmos em senso que será aplicada as regras de aceitação, como por exemplo, a inserção de novas letras em nosso vocabulário, palavras em nossa forma de comunicar, as gerações futuras, terão as nossas referências, mas não saberão nos definir.
Hoje plantei mais uma árvore e dediquei esse nascimento para você. Senti a mesma energia e eu tenho certeza de que ainda está entre nós, mesmo sabendo que seu corpo se oxidou.
Não quero definir essas linhas como uma carta de despedida, prefiro deixar esse microconto registrado como uma lembrança forte.
Obrigado por ter me ensinado o que é o controle, alcançar a estabilidade, mesmo convivendo com o mais perfeito CAOS. Que sua jornada seja infinita e eu tenho certeza que nos encontraremos novamente, vá em paz querida Lírian.
Hasta luego!





Deixe uma resposta