zé pilintra

A eclética e o segredo

No começo Zilá não acreditava naquilo, por ser adepta a outra religião. Era evangélica e nunca, durante toda a sua vida, tinha ido sequer numa rezadeira. Até que um dia, depois de muitos conselhos das amigas, resolveu procurar a Sebastiana.

Sebastiana era uma mulher com seus 65 anos, que tinha seus caminhos cruzados com o ‘Zé Pilintra’. ‘Zé Pilintra’ é uma entidade de luz, originária da crença Catimbó. É também incorporado nos terreiros de Umbanda e considerado ‘O Malandro’, patrono dos bares, e como Sebastiana adorava um ‘goró’, passou a ser o “cavalo” daquela entidade.

No entanto, Tiana, como era conhecida nas rodas da Curimba, usava o espírito do ‘Malandro’, para fazer o bem e nas horas vagas, descobrir supostas falcatruas domésticas. Foi por isso que Zilá foi atrás da Tiana. Desconfiava que o seu varão a estava traindo com uma varoa bem mais jovem que ela e até já tinham visto seu marido sair do culto, aos cochichos com a moça, no dia em que ela estava ausente.

Chegando lá, Tiana com um charuto entre os dedos, apoiada num cajado e um chapéu branco, com uma faixa vermelha, soltava grossas baforadas de fumaça. Nem esperou que Zilá pudesse ter qualquer reação e soltou: ‘É chifre, né, zinfia?’. Diante dessa afirmação tão categórica Zilá, assustada, sussurrou baixinho entre os dentes: ‘É sim… É isso…’

Tiana (ou Zé Pilintra) continuou: “Ingano seu, fia. Ela é semente do saco dele. É sua intiada…” Zilá, assustada com aquela revelação, saiu correndo, furando a fumaça que tomava conta daquele ambiente e quase derrubando a porta, saiu cambaleante.

Quando chegou em casa, esbaforida, o marido estava sentado no sofá, ao lado da suposta amante, dizendo que precisava lhe contar um segredo. Foi aí que Zilá gritou, enchendo a todos de perplexidade: “JÁ SEI!”

A partir daquele dia, os três passaram a ir aos cultos, sempre juntos e claro, sem ninguém saber, logo depois do culto, Zilá levava charutos para o ‘Zé Pilintra’.

Deixava com a Sebastiana.