Seres desumanos apinhavam os porões dos navios com suas mercadorias.
Variadas em forma, em peso, em força.
Valiosas para venda, para troca, para barganha.
Eram só mercadorias.
Meros produtos dentro de um porão. Escuro e fétido.
Eram só produtos amontoados em um navio atravessando o oceano.
Valongo como destino.
Quais seriam seus destinos?
Vale longo de dor.
De desespero.
De doenças.
Desesperança.
Antes do porão, antes da escuridão.
Reino, família, histórias.
Pais, filhos, netos, bisnetos…
Baobás, griots, crianças, abraços.
Vida, liberdade, sonhos.
Navios atravessaram o oceano.
Valongo como destino.
Muitos algozes no vale de morte.
Apressa-te, ser de-su-ma-no.
Mate-me logo,
antes que eu morra.





Deixe uma resposta