menino engenho escravo

Herança africana

“Quinzinho, um rapaz muito curioso, passeava pelo engenho de seu pai, onde os escravos trabalhavam no cultivo da cana-de-açúcar. Gostava de conversar com vô Damião, um escravo já bastante velho para o trabalho, que ficava sentado na frente da senzala pitando seu cachimbo.

Hoje, vô Damião estava contando a ele a história de Kisola e Mamba, um casal que foi trazido de Angola, na África, junto com seu filho, Kasinda. Viviam felizes naquele lugar, cercado de natureza e magia.

Até que um dia, foram capturados e jogados em um navio para serem vendidos como escravos. Ali, sofreram as piores coisas que jamais poderiam imaginar: maus-tratos, falta de higiene, doenças…

Viam seus irmãos morrerem e serem jogados no mar.

Mas depois dessa viagem interminável, chegaram ao Brasil, no cais do Valongo, para serem colocados à venda. Cada senhor comprou um escravo e Kisola foi separada de Mamba. O filho deles também foi para outra fazenda. Nunca mais se viram. Kisola era usada pelo seu senhor e trabalhava sem parar, na cozinha da fazenda, tratada como animal.

Mamba, em outra fazenda, trabalhava arduamente no engenho de cana-de-açúcar. Qualquer erro, por menor que fosse, os escravos eram castigados. Iam para o tronco, presos a ferros. Alguns não aguentavam e morriam ali mesmo.

Mamba era um negro forte e fugiu para o Quilombo. Kasinda cresceu e se tornou abolicionista, com o nome de José dos Santos. A liberdade estava sendo construída, aos poucos.

Quinzinho ficou muito impressionado e achou a história muito triste. Ao mesmo tempo, ficou feliz porque seu pai, o dono da fazenda, tratava bem os seus escravos e já os tinha alforriado.”

— Gostou da história, Pedro? Já leu? Dona Fernanda vai falar sobre ela na próxima aula. Temos que anotar nossas dúvidas para debater em sala de aula.
— Sim, sim. Já li. Achei muito triste, mas era real. Temos que aprender bastante sobre isso para entendermos tudo o que vamos ver no passeio ao “Circuito histórico e Arqueológico da Herança Africana!” na semana que vem.
—Eu — disse Amanda — já pesquisei e sei que tem bastante coisa pra ver. Tem a exposição Valongo, Cais da Ancestralidade, que mostra a história do cais e a relação com a Pequena África, que hoje é ponto turístico. Vamos ver o Instituto dos Pretos Novos, a Pedra do Sal, o Morro da Conceição e o Jardim Suspenso do Valongo. A casa da tia Ciata, o Cais do Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos.
— Mas, Amanda, lá também tem quadras de beach tênis, futevôlei, vôlei de praia, playground… Será que vamos ter esse minuto de lazer?
— Acho que sim. Vai ser um passeio divertido.
— Que tal um sorvete agora?