idosas amigas viagem

Safadeza: sim ou não?

Rosa é uma senhora de sessenta anos muito ativa. Ela dança, faz excursões, passeios com as amigas… só não pensava mais em namorar. Viúva há sete anos, não concebia outra pessoa tocando seu corpo. Aliás, um corpo bonito ainda. Não era magra, nem gorda. As formas bem talhadas, ainda chamavam atenção.

Embora fosse uma pessoa séria e de pouca conversa, cumprimentava a todos com simpatia.

Havia na rua dela uma loja que pertencia a um rapaz chamado Carlos. Todos os dias, ao passar, ela o cumprimentava e ele respondia de modo respeitoso. Aos poucos, foram ficando menos formais e até trocavam algumas palavras aleatórias. Um dia, ele revelou que estava se divorciando.

Às vezes, quando ela descia a rua, ele a seguia de carro e perguntava:
— Está indo pra onde?

Ela respondia e ele sempre dizia que estava indo na mesma direção.
— Entra aí, que eu levo a senhora.

Isso aconteceu algumas vezes. Um dia ele falou:
— Que tal a gente tomar um suco qualquer dia desses pra conversar melhor?

Ela respondeu:
— Acho que não. Sou mãe e mãe tem papo chato, só sabe falar de filho.

Ele sorriu e respondeu:
— Pai também.

Ela ficou a pensar. Acendeu uma luzinha na cabeça dela: teria sido uma cantada? Seria possível? Na idade dela? Ele é muito jovem – refletia.

Quando ela voltou da rua, ele estava lá, na porta da loja. Ela tomou coragem e resolveu perguntar:
— Aquilo que você falou de manhã foi uma cantada?

E ele respondeu com um sorriso:
— Talvez, por quê?

Rosa ficou muito zangada. Achou que era deboche. Perguntou a ele quantos anos ele tinha, ao que respondeu que tinha quarenta e quatro. Ela deu-lhe uma bronca, disse que poderia ser sua mãe e foi embora.

No outro dia, quando ela passou, ele lhe pediu desculpas. Disse que a admirava muito e não queria perder sua amizade.

Tudo estaria bem, se Dona Rosa não resolvesse comentar com uma amiga o absurdo, a ousadia daquele rapaz. Esta disse o seguinte:
— O que você tem a perder aceitando? Ele é um homem livre. Você, uma mulher livre também. Vá viver a vida!

Aquilo ficou martelando na cabeça dela. Até que ela voltou a conversar com ele. Conversa vai, conversa vem, ele comentou que nas proximidades havia um restaurante japonês muito bom e a comida era ótima. Ele a convidou e ela aceitou. E assim, começariam um relacionamento que duraria oito anos.

Carlos falava pra ela:
— Meu bem, vamos fazer safadeza?

E ela, muito romântica, respondia:
— Safadeza não. Vamos fazer amor com cumplicidade, confiança, comum acordo e prazer.

E assim acontecia: na casa dele, na casa dela, na loja, no motel… todos os dias. Era maravilhoso. Pareciam dois jovenzinhos. Mas sempre em segredo, sem mãos dadas na rua, sem exposição. Ela tinha vergonha, receio de não ser bem vista na família e presumia que ele também, devido a diferença de idade. Mas, a verdade era que ela já estava perdidamente apaixonada por ele. Ele era doce, carinhoso e lhe dizia coisas ao pé do ouvido que toda mulher quer ouvir.

Mas, um dia, Dona Rosa estava olhando o Facebook e nas notificações viu que Carlos havia sido marcado numa postagem. Ficou curiosa e abriu. Ela nunca havia feito isso antes. Era uma postagem de uma tal de Cristina com o título de “momentos inesquecíveis”. E lá estavam as fotos: eles na praia, no Maracanã, em festas, em encontros familiares. E pior: abraçados e se beijando na boca. Uma mulher bem mais nova que ele, uma novinha.

Tudo isso doeu muito em Dona Rosa. Ele poderia ter sido honesto, mas não, foi um safado. Pior, ele queria continuar com as duas, uma para o prazer entre quatro paredes e a outra para exibir na sociedade. Isso sim, seria uma tremenda safadeza. Safadeza ou não, ela havia aprendido a lição de que aquele romance havia sido só dela e, portanto, cabia a ela terminar. Forte do jeito que era, superou e descobriu que estava pronta para amar novamente.